"Um Novo Amanhecer"

13:57 / Postado por Theologia Cidade Paradoxo / comentários (0)


Na Europa pós-cristã existe a premente necessidade de construir pontes de diálogo com o mundo acadêmico. Como o historiador francês acredita que o cristianismo tem condições de interagir com a ciência, filosofia e humanidades, fornece algumas pistas para a conversa.

Sugere: abertura para a evolução; revisão da antropologia pessimista do pecado original; modelo alternativo de compreensão sobre Deus.

Recomendo fortemente À Espera da Aurora. Entretanto, atrevo-me pinçar alguns conceitos sobre Deus da obra de Delumeau.

Os genocídios e massacres do século XX – o mais sangrento da história – levaram teólogos cristãos e pensadores judeus reverem pressupostos sobre uma divindade no controle dos eventos. Delumeu pergunta: “Pode-se crer na bondade após Auschwitz? Por que seu silêncio diante de um genocídio sem precedentes?”. Elie Wiesel, sobrevivente de um campo de concentração nazista e Prêmio Nobel da Paz, disse: “Fazemos nossas, as terríveis acusações que Jó proferiu: Deus parece brincar com o homem [...] ser indiferente ao seu sofrimento. E Deus não faz nada para dissipar esse mal-estar na civilização”.

Delumeau cita Pierre Bayle (1646-1707) que rejeitou a explicação clássica do sofrimento humano como resultado do pecado original: “A maneira pela qual o mal se introduziu sob o império de um ser infinitamente bom, infinitamente santo, infinitamente poderoso é não apenas inexplicável, mas até mesmo incompreensível”.

Delumeau propõe a única saída para este beco sem saída. “Tomar consciência da não-potência de Deus”. Obviamente uma afirmação desse tipo causa horrores na cristandade, acostumada a pensar Deus a partir da filosofia grega. Mas o escândalo e a loucura da fé cristã repousam precisamente neste alicerce: Deus se tornou homem. “Por que existe mal? Não há nenhuma resposta que esteja ao nosso alcance. Mas ainda assim o cristianismo esclarece e relativiza esse imenso enigma por meio de duas fortes afirmações: (1) Deus ficou entre nós para sofrer, como nós, com a violência do mal e ele morreu no abandono mais completo; (2) na Jerusalém definitiva, o mal terá desaparecido”.

As Escrituras afirmam categoricamente que Deus não pode negar a si mesmo. Mas “a Encarnação pressupõe que Deus, tornado homem como você e eu, tenha colocado entre parênteses sua ‘onipotência’ durante todo o tempo de sua missão terrestre. O que nos conduz a enunciar duas proposições contraditórias do ponto de vista de nossa situação humana: Deus é ao mesmo tempo o Todo-Poderoso que está na origem do ‘céu e da terra’ e o Não-Poderoso do qual os frágeis relatos evangélicos nos deixaram traços".

"O Deus para o qual os cristãos oram todos os dias ‘gemeu em um berço’, segundo a fórmula de Lutero... Ele não procurou se defender, sendo aprisionado, torturado, forçado a carregar a cruz do seu suplício e pendurado a esse objeto infamante. Eis o Deus proclamado pelo cristianismo: um profeta desarmado... desarmado frente ao mal... O Deus Todo-Poderoso que se tornou um ‘escombro’ humano: estamos aqui no âmago do paradoxo cristão e da ‘loucura da cruz’ que, sem explicar as raízes do mal, nos garante que Deus quis compartilhar nossa condição, por mais assustadores que sejam nossos sofrimentos e penas”.

Delumeau cita Pascal: “Cristo estará em agonia até o fim do mundo”. Para Delumeau, Deus só exercerá completamente sua vontade soberana quando a história humana chegar ao seu final. “Então, somente então, sua vontade será feita ‘tanto na terra como no céu’ – fórmula que só pode ser compreendida se lhe for restituído o seu alcance escatológico. Ao comentar o Pai Nosso, Marc Philonenko,o sábio editor dos Écrits intertestamentaires, escreve: ‘a vontade’ de Deus se exerce nos céus desde o começo do mundo. Ela se exercerá definitavamente na terra no dia do Juízo. Não antes disso. Enquanto durar a história, o homem-Deus sofre como nós e conosco”.

“Contudo, é preciso constatar que Jesus permaneceu mudo sobre o pecado original, tampouco se pronunciou sobre a origem do mal. Ora, parece-me que devemos imitá-lo nesse silêncio e, se me permitem dizer, ‘não seremos mais realistas que o rei”.

“Claudel com razão escreveu em algum lugar: ‘Deus não veio explicar o sofrimento; ele veio preenchê-lo com sua presença'”.

Claro que o texto acima não passa de um resumo impreciso do pensamento de Delumeu. Insisto: os que estiverem insatisfeitos com os modelos teológicos tradicionais e ousarem aventurar-se – e arriscar-se – a pensar fora dos enlatados, leiam Delumeau.

Não há amor no coração da cidade

06:03 / Postado por Theologia Cidade Paradoxo / comentários (0)


Não há amor no coração da cidade
Não há amor no coração da cidade
Não há amor, concerteza é uma pena
Não há amor pois você não está por perto
Baby, desde que você chegou

Não há amor no coração da cidade
Não há amor no coração da cidade
Não há amor, concerteza é uma pena
Não há amor pois você não está por perto

Todo lugar que eu vou
Bem, parece tão estranho
Sem seu amor, baby, baby,
As coisas tem mudado
Agora que você se foi
Você sabe, o sol não brilha
Do centro da cidade
Até a capital, isso por que

Não há amor no coração da cidade
Não há amor no coração da cidade
Não há amor, concerteza é uma pena
Não há amor pois você não está por perto

Todo lugar que eu vou
Bem, parece tão estranho
Sem seu amor, baby, baby,
As coisas tem mudado
Agora que você se foi
Você sabe, o sol não brilha
Do centro da cidade
Mulher, até a capital, isso por que

Não há amor no coração da cidade
Não há amor no coração da cidade
Não há amor, concerteza é uma pena
Não há amor pois você não está por perto

Não há amor lá no coração da cidade
Não há amor lá no coração da cidade
Não há amor, concerteza é uma pena
Não há amor pois você não está por perto,
Pois você não está por perto.

Igrejas Abusivas e Suas Características

13:08 / Postado por Theologia Cidade Paradoxo / comentários (0)



1) Distorção da Escritura: para defender os abusos usam de doutrinas do tipo "cobertura espiritual", distorcem o sentido bíblico da autoridade e submissão, etc. Encontram justificativas para qualquer coisa. Estes grupos geralmente são fundamentalistas e superficiais em seu conhecimento bíblico. O que o líder ensina é aceito sem muito questionamento e nem é verificado nas Escrituras se as coisas são mesmo assim, ao contrario do bom exemplo dos bereanos que examinavam tudo o que Paulo lhes dizia.

2) Liderança autocrática: discordar do líder é discordar de Deus. É pregado que devemos obedecer ao ditador, digo discipulador, mesmo que este esteja errado. Um dos "bispos" de uma igreja diz que se jogaria na frente de um trem caso o "apóstolo" ordenasse, pois Deus faria um milagre para salvá-lo ou a hora dele tinha chegado. A hierarquia é em forma de pirâmide (às vezes citam o salmo 133 como base), e geralmente bastante rígida. Em muitos casos não é permitido chamar alguém com cargo importante pelo nome, (seria uma desonra) mas sim pelo cargo que ocupa, como por exemplo, "pastor Fulano", "bispo X", "apostolo Y", etc. Alguns afirmam crer em "teocracia" e se inspiram nos líderes do Antigo Testamento. Dizem que democracia é do demônio, até no nome.

3) Isolacionismo: o grupo possui um sentimento de superioridade. Acredita que possui a melhor revelação de Deus, a melhor visão, a melhor estratégia. Eu percebi que a relação com outros ministérios se da com o objetivo de divulgar a marca (nome da denominação), para levar avivamento para os outros ou para arranjar publico para eventos. O relacionamento com outros ministérios é desencorajado quando não proibido. Em alguns grupos no louvor são tocadas apenas músicas do próprio ministério.

4) Elitismo espiritual: é passada a idéia de que quanto maior o nível que uma pessoa se encontra na hierarquia da denominação, mais esta pessoa é espiritual, tem maior intimidade com Deus, conhece mais a Bíblia, e até que possui mais poder espiritual (unção). Isso leva à busca por cargos. Quem esta em maior nível pode mandar nos que estão abaixo. Em algumas igrejas o número de discípulos ou de células é indicativo de espiritualidade. Em algumas igrejas existem camisetas para diferenciar aqueles que são discípulos do pastor. Quanto maior o serviço demonstrado à denominação, ou quanto maior a bajulação, mais rápida é a subida na hierarquia.

5) Controle da vida: quando os líderes, especialmente em grupos com discipulado, se metem em áreas particulares da vida das pessoas. Controlam com quem podem namorar, se podem ou não ir para a praia, se deve ou não se mudar, roupas que podem vestir, etc. É controlada inclusive a presença nos cultos. Faltar em algum evento por motivos profissionais ou familiares é um pecado grave. Um pastor, discípulo direto do líder de uma denominação, chegou a oferecer atestados médicos falsos para que as pessoas pudessem participar de um evento, e meu amigo perdeu o emprego por discordar dessa imoralidade.

6) Rejeição de discordâncias: não existe espaço para o debate teológico. A interpretação seguida é a dos lideres. É praticamente a doutrina da infalibilidade papal. Qualquer critica é sinônimo de rebeldia, insubmissão, etc. Este é considerado um dos pecados mais graves. Outros pecados morais não recebem tal tratamento. Eu mesmo precisei ouvir xingamentos por mais de duas horas por discordar de posicionamentos políticos da denominação na qual congregava. Quem pensa diferente é convidado a se retirar. As denominações publicam as posições oficiais, que são consideradas, obviamente, as mais fiéis ao original. Os dogmas são sagrados.

7) Saída traumática: quem se desliga de um grupo destes geralmente sofre com acusações de rebeldia, de falta de visão, egoísmo, preguiça, comodismo, etc. Os que permanecem no grupo são instruídos a evitar influências dos rebeldes, que são desmoralizados. Os desligamentos são tratados como uma limpeza que Deus fez, para provar quem é fiel ao sistema. Não compreendem como alguém pode decidir se desligar de algo que consideram ser visão de Deus. Assim, se desligar de um grupo destes é equivalente a se rebelar contra o chamado de Deus. Muitas vezes relacionamentos são cortados e até famílias são prejudicadas apenas pelo fato de alguém não querer mais fazer parte do mesmo grupo ditatorial.

Como encontrar o sentido para vida?

12:21 / Postado por Theologia Cidade Paradoxo / comentários (0)



Estamos vivendo em uma cultura poderosamente marcada pelo consumo, que de alguma maneira, orienta o ser humano em suas escolhas mais profundas. Não me refiro ao consumo enquanto forma de sobrevivência. Mas à onda de consumo que se torna “fim”, e não apenas “meio” de vida, que cria dependência psíquica e física, conseqüência de uma sociedade cada vez mais materialista e hedonista.

Tal situação é gerada pela exigência do mercado, e tem criado pelo menos duas vocações de contraste. A primeira é o culto às mercadorias que nasce da fé em suas promessas de auto-satisfação e felicidade. A segunda é a legião de consumidores, que quanto mais adquirem os objetos desejados do seu consumo líquido, mais vazios se sentem, e a felicidade é sempre postergada.

No meio dessas pessoas que se dão conta de tais juramentos não cumpridos, estão as que, de alguma maneira, buscam preencher a sua existência vazia enquanto ser. Desejam respostas que as “coisas” que consomem não conseguem dar. O psiquiatra austríaco Victor Frankl (1905-1997) afirma o seguinte: “sonhamos que bastava fazer progredir as condições socioeconômicas de uma pessoa para que tudo caminhasse bem, para que ela ficasse feliz. A verdade é que a luta pela sobrevivência não se acaba, e ponto. De repente brota a pergunta: ‘Sobreviver? Mas para quê?’ Em nossos dias um número cada vez maior de indivíduos dispõe de recursos para viver, mas não de um sentido pelo qual viver”.

Abraham Maslow (1908-1970) na sua hierarquia das necessidades enfatiza o alimento, conforto, a segurança, e por mais importantes que sejam para a sobrevivência do ser humano, não é suficiente para dar sentido à vida. Nem mesmo a riqueza e o luxo podem fazer desaparecer a sensação de vacuidade e de inutilidade da existência. Olhando para o outro lado da moeda, não só a abundância, mas também extrema necessidade ou uma situação de debilidade física-corporal podem despertar perguntas sobre a razão e sentido da vida.

A partir desses horizontes imediatos humanos, a falta de sentido pode resultar em depressão, e se for uma situação gravíssima, pode levar a morte. As situações-limites levam as pessoas a elucubrar questionamentos existenciais como: “Quem eu sou? Para que existo? Por que isto está acontecendo comigo agora?”. O ser humano está constantemente sendo desafiado a preencher e dar sentido ao seu vazio existencial a partir de respostas e indagações como essas, as quais nunca chegarão a uma conclusão final.

Os animais irracionais estão submetidos às repostas permanentes, mas o ser humano não se conforma com o que é. Animais e plantas são o que são, e sempre serão. Só o gênero humano deve ser o que ainda não é. Todas as pessoas especialmente as que passam por “crise existencial”, necessitam de um alargamento de sua visão para consigo mesmo e do mundo que o cerca. A ciência constatou que a experiência transcendental ajuda a dar sentido à vida e, em muitos casos de doenças psíquicas ou físicas, leva à cura. A “espiritualidade cristã” é o caminho possível nessa busca.

“Transcendência” é a palavra chave na espiritualidade cristã. Transcender significa “sair-de-si-mesmo” para enriquecer-se com a realidade exterior. Só é possível a auto-realização, ou encontrar o sentido, quando alguém sai de si mesmo, ou seja, quando transcende para alguma realidade do mundo que o permeia. Sair-de-si-mesmo, com a meta de servir a alguma causa nobre, ou alguém, é a melhor forma de entrar dentro si mesmo e encontrar sentido.

A “espiritualidade cristã” é o “Caminho” que motiva a “sair-de-si-mesmo – transcendência” e a “servir”, e firmar-se em Jesus de Nazaré – o Cristo, nos valores que ele anunciou, tais como o amor, o perdão, a solidariedade, a justiça, a partilha, o respeito à pessoa humana.

Portanto, através de um relacionamento experiencial com Jesus de Nazaré, nasce o comprometimento real e concreto com a minha realidade existencial, encontrando assim a realização espiritual e humana que da sentido para vida. Essa satisfação é um anseio do coração humano e cabe a ele escolher o “Caminho" a seguir.

Haroldo Evangelista