Creio que aqui temos o verdadeiro sentido da história do exílio. Descobrimos que a história oficial de Isra-El no livro dos Reis é a história dos reis. A história das Crônicas não é melhor visto que é a história somente dos reis de Judá, sem Isra-El, o Reino do Norte. Esta é uma história de ricos e burgueses, pois a riqueza numa sociedade organizada segundo o modo de produção tributário coincide com o rei e seus ministros.
O exílio babilônico (598-597 a.e.C) não é o exílio de Judá, e sim o exílio da família real, de seus servos, os ricos e o clero religioso (2ªRs.24.14). Dez mil pessoas foram exiladas. A população de Judá pode ser calculada em 250 mil nessa época, isso significa 4% da população. A massa camponesa foi deixada. Houve uma segunda deportação em Jerusalém (587-586 a.e.C), na corte e no templo de Zedequias – perfazendo 832 pessoas (Jr.52.28s).
Quem é que Deus castigava com o exílio, devido aos seus pecados? É evidente que é os reis e seus amigos mais do que íntimos. Nem todos da população sofreram as agruras do exílio, mas os seus problemas maiores se deram quando os exilados voltaram da Babilônia e exigiram suas terras de volta das mãos dos camponeses (Ne.5). O julgamento de Javé sobre Isra-El, Reino do Norte, é bem mais duro e ambíguo (2ªRs.17.20-23).
Judá também não é melhor que Isra-El, pois, de seus vinte monarcas, somente cinco tiveram algum grau de positividade em suas gestões reais. Somente Josias recebeu elogio (2ªRs.20.2). Podemos concluir que realmente o castigo do exílio foi para os reis, ricos e religiosos de Jerusalém. O povo pobre nem peca escandalosamente e nem sofre castigos por isso. Ao contrário, descobrimos na Sagrada Escritura que a opção de Deus é pelos pobres.
Soli Deo Gloria!
Pr. Haroldo Evangelista
